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Literalidade e Autismo: Entenda por que “se tem placa, tem história” faz tanto sentido
Nós, autistas, temos dificuldade em entender metáforas, ironias, sarcasmo e expressões idiomáticas.

Muitas vezes, as intenções sociais subjacentes, as normas implícitas e a perspectiva do outro (Teoria da Mente) não são óbvias para nós. Somado a isso, temos desafios na compreensão de textos complexos, sequências de instruções e na noção abstrata de tempo.
A maioria de nós interpreta as situações de comunicação de forma literal. Isso gera grandes desafios na interação social, mas, com treino e apoio, essas habilidades podem ser desenvolvidas.
Essa placa da foto é um comunicado de uma distribuidora de bebidas aqui perto de casa. Quando a vi, logo pensei: será que todo autista entende isso? E as outras placas por aí? Então, resolvi tirar a foto e explicar para quem, como eu, pode ter dificuldade de leitura.
Existe um ditado popular que diz: “Se tem placa, tem história”. Isso significa que a existência de um aviso, muitas vezes bizarro, engraçado ou contraditório, indica que houve uma situação real e inusitada que a motivou. Revela um “causo” ou uma anedota por trás dela.
No caso desta placa, ela avisa aos homens que bebem ali que, se a namorada ou esposa ligar perguntando por eles, a distribuidora pode dar uma desculpa ou mentir. Mas existe uma “tabela de preços” para cada mentira e, detalhe: não existe fidelidade. Se a parceira pagar mais caro, eles contam a verdade.
Deve haver todo um histórico de confusão ou desrespeito que tornou esse “aviso” necessário.
Eu até confirmei com o atendente: “É sério isso?”.
E ele me disse: “Muito sério!”.
