Categoria: Capacitismo

  • “Cada autista é único”, é uma das mais sofisticadas armas do capacitismo

    Te convido a fazer uma reflexão crítica importante sobre o uso repetido e muitas vezes mal interpretado da frase “cada autista é único”.

    Cada indivíduo é único e essa é uma parte nossa não coaptada pelo autismo, o autismo é o autismo. O que nos diferencia não está dentro do espectro e sim na nossa individuação. Essa afirmação, apesar de aparentemente positiva, tem se tornado um instrumento sofisticado do capacitismo ao reforçar certas ideias problemáticas.

    E ela é um tipo de capacitismo fino, sofisticado, porque faz autistas, familiares e suportes reproduzirem o preconceito, ao mesmo tempo que estão sendo vítimas dessa engenharia estrutural.

    E é prejudicial por que:

    • Estimula as pessoas a acharem que “autistas se sentem especiais”
    • Invalida o nível 1 de suporte porque cria uma competição de níveis
    • Porque cria a ideia de que 1 pessoa é mais autista que a outra, que existem os verdadeiros autistas e os falsos autistas.

    Enquanto que na verdade os sinais e sintomas são os mesmos para todos os autistas, sem os mesmos critérios não é autismo.

    Ao sugerir que “autistas se sentem especiais”, cria uma falsa percepção de privilégio que pode afastar o foco das reais necessidades e desafios enfrentados.

    Ao invalidar o nível 1 de suporte, a frase fomenta uma competição hierárquica dentro do espectro..

    A ideia de que “uma pessoa é mais autista que outra” promove um entendimento impreciso e reducionista do espectro, enquanto critérios diagnósticos comuns fundamentam o diagnóstico.

    O autismo é um diagnóstico compartimentalizado por critérios objetivos, enquanto a singularidade individual transborda o espectro e resiste à captura completa pela condição. Essa reflexão é fundamental para desmistificar narrativas capacitistas e reforçar uma abordagem precisa e respeitosa do autismo.