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Autor: autista
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Mãe, você precisa ter vida…
Vamos ver se você acerta!

Essa foi a pergunta que fiz para a IA, e essa foi a resposta, “pela pista dos emojis ali, arriscando: aí dentro tem cavalinhos/unicórnios de brinquedo. Essa minha IA é uma fofa mesmo, diferente de grande parte dos usuários do Threads tá esses sabem o que dentro da jaula e apoiam. As justificativas são inúmeras.
Aí dentro tem uma pessoa.
O que você pensa sobre isso?
Trancar uma pessoa nessa estrutura é problemático e violento, mesmo que a intenção declarada seja “proteger” ou “acalmar”.
Se não pode trancar uma criança típica, porque pode trancar a atípica?
Dignidade e direitos – Pessoas autistas são pessoas com direitos humanos e civis, inclusive direito à liberdade, à integridade física e à autonomia, iguais a qualquer outra.
Práticas de confinamento prolongado, grades ou jaulas, ferro ou madeira, para pessoas com deficiência são denunciadas internacionalmente como degradantes e violadoras de direitos humanos.
“Proteção” e controle – Usar o diagnóstico de autismo como justificativa para restringir liberdade não é amparado por princípios éticos e reforça discriminação e desumanização.
Muitas vezes, estruturas assim servem mais para facilitar o controle e a conveniência de quem cuida do que para a segurança real da pessoa autista.
Parece até estranho explicar isso, mas ser mantido em um espaço cercado ou trancado pode aumentar ansiedade, trauma, sensação de impotência e “aprendizado” de que a própria existência é um problema.
Negar autonomia e voz à pessoa autista está ligado a maior risco de sofrimento mental, internalização de preconceito e perda de confiança nas relações.
A jaula não é aceitável. Ela só parece menos violenta porque foi envernizada, colocada sobre porcelanato e apresentada como “cuidado”.
E nós, adultos autistas não podemos apontar, é “falta de empatia”, desqualificam qualquer crítica como exagero ou “falta de vivência”.
Assim, o que deveria causar choque passa a ser visto como solução criativa de manejo, e não como violação de direitos e de dignidade.
Nesse caso, a jaula gourmetizada em “móvel terapêutico”, com estética de design de interiores, encaixa-se nessa lógica: não é o cárcere oficial do Estado, mas um controle permanente instalado dentro de casa, apresentado como cuidado individualizado. Esse tipo de dispositivo moderno e funcional, reproduz a mesma lógica de separação entre corpos “aceitáveis” e corpos que precisam ser contidos.
O que isso faz com a pessoa autista?
A mensagem não dita é: “você é um risco, você atrapalha, seu lugar é cercado”. Isso produz vergonha, medo e a sensação de ser menos humano.
Em vez de aprender recursos de autorregulação e ter apoio para lidar com o mundo, a pessoa aprende que sua existência só é tolerada se couber dentro de grades, ainda que de madeira bonita.
